Pedaços de Pessoa e pessoas...



Terça-feira, Setembro 17, 2002



(Enquanto ouço "A Queda", música de Lobão)


O dia nasce nublado, vento forte, ar molhado...Tento me equilibrar e manter-me viva, minhas pétalas estremecem. As irmãs de talo dividem a angonia de uma possível queda, fatal. Queda essa, que arrancará minhas raízes, meu alimento, minha vida...
Diante do medo sofro a pré-queda, a mais bizarra sensação de perda. A lógica violenta de que cair do céu é tão simples, mas que transtorna. Vê-se pelo constrangimento estampado na face diante da visão de baixo (todos sempre vêem o mundo de cima), o tropeço, o escorregão e por fim a queda...
queda

queda

queda

queda

queda

queda

queda

queda

queda

queda

queda.................
Mas e depois?

- O alívio do fundo do poço. Ué?? mas não era o fim?
A dor dilacerante da queda é sentida apenas antes e depois, nunca durante. A vertigem diante da falta de ação, corpo caindo, alma entorpecida, colapso final. Na velocidade terrível da queda.

postado por: Cris 13:35

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Segunda-feira, Setembro 02, 2002

Hoje acordei e me senti um pouco perdida... de vez enquanto eu sinto isso em minha vida... às vezes é uma dor forte, a dor de existir... mas dessa vez não doeu. Só ficou um abismo entre meu olhar e o espelho do banheiro... Estou sendo sem ser... Mecanicamente fui à faculdade, fiz o que TINHA de ser feito... voltei rapidamente pra casa, pra o meu quarto, pra o meu refúgio... assumo que estou fugindo, mas de quê?! de uma vida que não quero, meus pensamentos são cruéis. Almoço, alimentando a matéria, enquanto que o espírito... me jogo na cama, coloco o despertador para berrar daqui à uma hora... uma hora e meia, duas horas... não consigo levantar, não consigo nascer da pequena morte da tarde... depois dessa luta travada entre meu corpo e minha consciência levanto, respiro fundo, tentando recobrar os sentidos... a pior coisa é ter tempo pra fazer tudo que você não tinha tempo antes, e não conseguir fazer por ter tempo demais!

postado por: Cris 22:26

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Domingo, Setembro 01, 2002

"São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literariamente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui."

(O livro do Desassossego - Bernardo Soares)

postado por: Cris 11:16

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